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Visão Política

Porque a política têm que ser feita de verdades!

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07.Mai.20

Dar Voz aos Portugueses | Opinião

IMG_20190118_232043_716.jpgDiogo Claro, estudante de Direito na Universidade Lusófona do Porto

Após 46 anos do 25 de abril de 1974, continuamos a ter de desenvolver o projeto democrático que nos foi legado. Hoje, mais do que nunca, é preciso relembrar o que foi conseguido com a revolução dos cravos e não haverá melhor altura do que o tempo de rescaldo das comemorações do fim do Estado Novo para falar sobre isso…

É possível que “dar voz aos portugueses” tenha sido a maior conquista de abril, mas talvez uma daquelas que esteja ainda por completar. No rescaldo da revolução toda a população se envolveu muito afincadamente na política, com o passar dos anos a política ficou para uma elite com a qual o cidadão comum já não se identifica mais. Assim temos novamente um problema, apesar de se manter o direito de voto, as liberdades e  os direitos políticos, há alguns políticos que não estão realmente preocupados com os problemas das populações. Apenas dão importância aos votos para ganhar lugar prestam-se a tomar atitudes pouco dignas, infelizmente.

Dar voz aos portugueses consiste numa verdadeira abertura do sistema político aos cidadãos, num maior escrutínio, num maior sentido de comunidade. Hoje, qualquer político só sai à rua para a caça ao voto, muito raramente vejo um político na rua para ouvir as pessoas, para conhecer os problemas desta e daquela comunidade e quando isso acontece, vai rodeado de equipas de reportagem para que seja visto naquela ação ou então é para o aproveitamento político de alguma situação má que ocorreu no país, é vergonhoso. Deveria haver uma preocupação genuína, pelos cidadãos que servem ano após ano. Verdade seja dita, os políticos e os seus partidos não são totalmente culpados pelo estado da política ou pela falta de atividade dos cidadãos na política. Nós, cidadãos comuns acabamos também por nos desligar da política porque fomos seduzidos por outras realidades que nos são tão mais confortáveis de abraçar, deixando de parte o escrutínio aos governos, deputados, presidentes de câmara, etc...

Para ter voz é necessário primeiro que exista também capacidade de exercer essa voz e, infelizmente, hoje não há. Olho para muitas pessoas da minha idade ou geração, a verdade é que uma esmagadora maioria não quer saber do que se passa no país a nível politico nem tem interesse em ser uma voz ativa na sociedade. Seja porque não tem cultura política suficiente e nunca quis saber mais sobre o assunto, seja porque nunca nada lhe foi ensinado sobre política. Dar voz aos portugueses é também prepará-los para que sejam capazes de usar essa voz de uma forma útil ao país. Essa preparação faz-se na escola, em casa, pelos meios de comunicação social mas nos moldes em que estamos a trabalhar não vai ser possível preparar as gerações futuras para muita coisa. É preciso alterações às disciplinas escolares e talvez se inclua algo sobre como ser um bom cidadão e alguma cultura política. Os meios de comunicação social têm o dever de ser isentos e verdadeiros no que transmitem aos cidadãos, já não o são apenas se preocupam em dar primeiro sem querer saber se é verdade ou mentira ou como vão influenciar as opiniões de centenas de milhares de pessoas, apenas pensam em audiências independentemente da qualidade do serviço que prestam.

Nos dias que correm não chega ter apenas o direito de voto, para muitas pessoas votar num partido ou num candidato é algo com o qual não se identificam dado que não há intimidade absolutamente nenhuma entre aquele que é eleito e os que elegem. Isso está a tornar-se cada vez mais necessário em Portugal, não precisamos de andar aos abraços, beijos e a tirar selfies mas sim de que os partidos sejam abertos à contribuição dos independentes e que se preocupem de problemas locais dado que todos os portugueses são iguais em direitos.

Dar voz aos portugueses passa por ver em cada rosto igualdade como a letra de Zeca Afonso dizia. Creio que nos últimos anos se viu aumentar a diferença entre aqueles que elegem e os que são eleitos, os cidadãos comuns precisam de se sentir iguais aos que concorrem a cargos públicos. O aumento desta distância nos últimos anos permitiu que emergissem fenómenos no espetro político português, desde indivíduos que estão completamente vazios de ideologia e apenas procuram o seu lugar ao sol, aos que são tipo camaleões inseridos na estrutura de um partido e uma vez eleitos acabam por revelar uma agenda pessoal. Abater essas rémoras que vivem nas falhas da democracia e que graças ao seu percurso tiveram a sorte de aparentar ser o messias da política nacional e prometem voz ao povo, dar voz aos portugueses também passa por esta luta.

Todavia não seja uma missão fácil, muito menos que se vá cumprir em uma ou duas legislaturas, dar voz aos portugueses urge na medida em que maiores ameaças à democracia irão surgir. Portanto todos juntos, pondo ideologias políticas de parte, devemo-nos empenhar em dar voz aos portugueses e isso começa exatamente, por trabalhar na evolução social e cultural do país, só assim estaremos preparados para emitir uma opinião quando formos chamados a fazê-lo.

 O “dar voz aos portugueses” hoje tem sido desempenhado essencialmente por fóruns seja na rádio, como é exemplo o famosíssimo “Fórum TSF”; então nos canais noticiosos de televisão ou até mesmo projetos que nascem na internet seja por blogs, páginas de Facebook, etc… O que falta são iniciativas políticas para levar as vozes, que hoje ainda vão falando, mais longe. Precisamos agora, com esta situação de crise, mais do que nunca desse compromisso por parte dos políticos do panorama local e nacional, para que seja possível construir um futuro consideravelmente melhor para todos.

 

(Diogo Claro)

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